2 de maio de 2015

Entre Abelhas

Lançamento: 30⁄ 04⁄ 2015
Dirigido por: Ian SBF
Com Fábio Porchat, Marcos Veras, Irene Ravache e outros
Gênero: Comédia , Drama
Nacionalidade: Brasil

Bem, antes de começar, preciso deixar avisado algumas coisas: (1) Não foi um erro de publicação, realmente, deixei o filme sem nota; (2) Esse texto não é totalmente uma crítica de cinema, está mais para uma leitura pessoal do filme; (3) Infelizmente não tem como escrever esse filme sem falar de fatos do filme, então sugiro que o veja antes de ler.

Sempre que eu começo a criticar um filme para o Cinema Mudo, eu mantenho firme na cabeça três notas. A primeira vem da pré-produção, de como eu acho que o filme se encaminha em termos de publicidade, o que ele mostrou e o que não mostrou. Na segunda, avalio durante o filme. Não é exatamente uma nota numérica, está mais para uma escala de qualidade, uma avaliação de como o filme está até ali, o que já deu certo e o que já deu errado. A terceira é a nota final, que eu coloco no blog, fazendo um balanço de todo o filme.

O início de Entre Abelhas começou com o Guilherme crítico. Começou com o ódio renovado dos patrocinadores em filmes brasileiros, com a constatação de que o Brasil não consegue começar um filme de forma satisfatória e com meus receios quanto a atuação de Marcos Veras. “Ora, um filme com Fábio Porchat e Ian SBF só pode ser uma comédia” pensei. “Na melhor das hipóteses, será um filme engraçado pra caramba e que sairei deste cinema me mijando de rir”.


Como todos no cinema, fui me aprofundando na história de Bruno, personagem do Porchat, e fui tentando entender a razão pela qual ele havia deixado de enxergar as pessoas. O que poderia levar este homem a esse extremo? Logo, eu começo a notar que o filme não se encaminha mais para a comédia. Pela primeira vez, podemos ver um Fábio Porchat que não fala coisas engraçadas sempre. De fato, Irene Ravache desempenha um papel muito mais humorístico do que o ator da Porta dos Fundos.

E então, lá vem as lágrimas. As minhas, digo. Ao final do filme, veio a compreensão de tudo o que estava ali representado. Ian SBF representou a solidão. Existe uma cena mais icônica para representar a solidão do que uma visão do Centro da Cidade (RJ) vazio de manhã?

A grande questão do filme nunca foi te explicar por que Bruno havia parado de ver as pessoas. Foi representar que num dado momento da vida, todos nós nos sentimos vazios, sozinhos. Todos nós iremos nos enxergar sozinhos no Centro da Cidade. Essa solidão pode chegar de qualquer forma. Divórcio, morte de alguém, final do ciclo escolar e até o amor. A solidão é universal.

De forma inteligentíssima, o filme começa a te convencer da solidão. E quando você acha que ele vai ter uma imensa reviravolta clichê e todos irão aparecer novamente, o filme te deixa a mensagem máxima: “você não está sozinho”. E então, Bruno encontra uma pessoa que ele ainda vê.

Não dá para dizer que este filme é uma comédia completa. Também não é um drama total. Na verdade, pode-se dizer que o filme é ainda mais realista por ser engraçado e triste ao mesmo tempo. Nenhuma vida é só risada nem só tragédia, então por que o filme seria?

Minhas lágrimas de solidão são a nota deste obra prima do cinema nacional. Seria covardia eu retirar pontos deste filme por falhas técnicas ou por uma ou outra atuação ruim. Seria covardia também dar cinco estrelas, pois houve sim falhas em uma escala pequena. Sendo assim, deixo como nota de consolo que Entre Abelhas é o melhor filme nacional que eu já vi. E é também uma esperança de que o cinema nacional é capaz de produzir tramas brilhantes, como a que vi hoje.


Saio do filme sem dizer uma palavra sequer. E nem preciso, afinal, quem irá ouvir, se estamos todos sozinhos?


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