Lançamento: 30⁄ 04⁄ 2015
Dirigido por: Ian SBF
Com Fábio Porchat,
Marcos Veras, Irene Ravache e outros
Gênero: Comédia , Drama
Nacionalidade: Brasil
Bem, antes de começar,
preciso deixar avisado algumas coisas: (1) Não foi um erro de publicação, realmente,
deixei o filme sem nota; (2) Esse texto não é totalmente uma crítica de cinema,
está mais para uma leitura pessoal do filme; (3) Infelizmente não tem como
escrever esse filme sem falar de fatos do filme, então sugiro que o veja antes
de ler.
Sempre que eu começo a
criticar um filme para o Cinema Mudo, eu mantenho firme na cabeça três notas. A
primeira vem da pré-produção, de como eu acho que o filme se encaminha em
termos de publicidade, o que ele mostrou e o que não mostrou. Na segunda, avalio
durante o filme. Não é exatamente uma nota numérica, está mais para uma escala
de qualidade, uma avaliação de como o filme está até ali, o que já deu certo e
o que já deu errado. A terceira é a nota final, que eu coloco no blog, fazendo
um balanço de todo o filme.
O início de Entre Abelhas começou com o Guilherme
crítico. Começou com o ódio renovado dos patrocinadores em filmes brasileiros,
com a constatação de que o Brasil não consegue começar um filme de forma
satisfatória e com meus receios quanto a atuação de Marcos Veras. “Ora, um
filme com Fábio Porchat e Ian SBF só pode ser uma comédia” pensei. “Na melhor
das hipóteses, será um filme engraçado pra caramba e que sairei deste cinema me
mijando de rir”.
Como todos no cinema,
fui me aprofundando na história de Bruno, personagem do Porchat, e fui tentando
entender a razão pela qual ele havia deixado de enxergar as pessoas. O que
poderia levar este homem a esse extremo? Logo, eu começo a notar que o filme
não se encaminha mais para a comédia. Pela primeira vez, podemos ver um Fábio
Porchat que não fala coisas engraçadas sempre. De fato, Irene Ravache desempenha
um papel muito mais humorístico do que o ator da Porta dos Fundos.
E então, lá vem as
lágrimas. As minhas, digo. Ao final do filme, veio a compreensão de tudo o que
estava ali representado. Ian SBF representou a solidão. Existe uma cena mais
icônica para representar a solidão do que uma visão do Centro da Cidade (RJ)
vazio de manhã?
A grande questão do
filme nunca foi te explicar por que Bruno havia parado de ver as pessoas. Foi
representar que num dado momento da vida, todos nós nos sentimos vazios,
sozinhos. Todos nós iremos nos enxergar sozinhos no Centro da Cidade. Essa
solidão pode chegar de qualquer forma. Divórcio, morte de alguém, final do
ciclo escolar e até o amor. A solidão é universal.
De forma
inteligentíssima, o filme começa a te convencer da solidão. E quando você acha
que ele vai ter uma imensa reviravolta clichê e todos irão aparecer novamente,
o filme te deixa a mensagem máxima: “você não está sozinho”. E então, Bruno
encontra uma pessoa que ele ainda vê.
Não dá para dizer que
este filme é uma comédia completa. Também não é um drama total. Na verdade,
pode-se dizer que o filme é ainda mais realista por ser engraçado e triste ao
mesmo tempo. Nenhuma vida é só risada nem só tragédia, então por que o filme
seria?
Minhas lágrimas de
solidão são a nota deste obra prima do cinema nacional. Seria covardia eu
retirar pontos deste filme por falhas técnicas ou por uma ou outra atuação
ruim. Seria covardia também dar cinco estrelas, pois houve sim falhas em uma
escala pequena. Sendo assim, deixo como nota de consolo que Entre Abelhas é o melhor filme nacional
que eu já vi. E é também uma esperança de que o cinema nacional é capaz de
produzir tramas brilhantes, como a que vi hoje.
Saio do filme sem dizer
uma palavra sequer. E nem preciso, afinal, quem irá ouvir, se estamos todos
sozinhos?
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