Lançamento: 20⁄ 08⁄
2015
Com Mackenzie Foy, Jeff
Bridges, Rachel McAdams e outros
Gênero: Animação
Nacionalidade: França
Quando se pensa em uma
adaptação cinematográfica de O Pequeno
Príncipe, uma pergunta surge imediatamente às nossas cabeças: Como resgatar
a essência questionadora e metafórica do livro em uma animação? A resposta não
poderia ser melhor respondida. A adaptação conta a história de uma garotinha
que busca uma vaga em uma escola de “excelência” como é o sonho da mãe.
Inspirada neste objetivo, a mãe resolve criar um “plano de vida” que deveria
ser seguido pela garota. No entanto, ela conhece um velho aviador que lhe conta
a história de como conheceu uma figura que mudou sua percepção sobre a vida: O Pequeno Príncipe.
No ponto de vista do
resgate da metáfora, o filme é excelente. Sempre atuando em duas frentes,
percebemos a construção de duas histórias: A primeira, o Pequeno Príncipe
original, representada em uma animação mais bidimensional e com traços mais
agressivos, apresentando metáforas o tempo todo, como no romance francês. A
segunda, a história da garotinha, transporta as metáforas originais para o
contexto atual, buscando representações realistas para os conceitos que a obra
se propõe. Fica nítido durante toda a trama esse jogo duplo. Muitas vezes,
palavras e frases surgem em dois momentos distintos, sempre com sentidos e
significados diferentes, explorando o nosso lado crítico e nossa percepção.
Por um lado, a transformação
da história possibilitou que a obra pudesse atingir um público mais infantil,
visto que não se prenderia ao formato, mais adulto, do Pequeno Príncipe
original. No entanto, a animação não é como as animações infantis atuais. É
brilhante, porém se utiliza pouco de momentos cômicos e da trama comum dos
filmes infantis. Por um lado isso é excelente, O Pequeno Príncipe é uma animação diferente de tudo o que já se
viu. Por outro, pode ser que o público infantil não receba com tanta animação a
história apresentada e isso gera um falatório generalizado dentro do cinema
(acredite, é absurdo!).
Sobre as duas
animações, a ideia como um todo é excelente. Ajuda a diferenciar a trama
inclusive no tom. A própria representação do Pequeno Príncipe, fica muito
melhor no modelo bidimensional do que no tridimensional. O filme prova, de uma
vez por todas, que algumas obras não se encaixam no modelo de animação atual e
que não devemos nunca dispensar modelos mais simples. No caso deste filme em
particular, funcionou na maior parte do tempo e o resultado artístico é
excelente.
Outro ponto que pude
observar foi que os personagens não tinham nomes. Cada um atendia pela
representação. “O aviador”, “A mãe”, “O Pequeno Príncipe”... Todos
representados e nunca nomeados. Um artifício interessante para uma obra que se
propõe ser uma representação geral. Assim, qualquer um pode ser a menina e é
muito fácil se reconhecer em algum dos personagens.
Diferente dos filmes da
Disney, Dreamworks etc, O Pequeno
Príncipe, não tem medo de ser pura metáfora. Uma fórmula diferente no que
se trata de animações, mas que se provou muito certa e que pode inspirar novas
obras no mesmo tom. Tomara que inspire!




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