4 de setembro de 2015

O Pequeno Príncipe


Lançamento: 20⁄ 08⁄ 2015
Dirigido por: Mark Osborne
Com Mackenzie Foy, Jeff Bridges, Rachel McAdams e outros
Gênero: Animação
Nacionalidade: França


Quando se pensa em uma adaptação cinematográfica de O Pequeno Príncipe, uma pergunta surge imediatamente às nossas cabeças: Como resgatar a essência questionadora e metafórica do livro em uma animação? A resposta não poderia ser melhor respondida. A adaptação conta a história de uma garotinha que busca uma vaga em uma escola de “excelência” como é o sonho da mãe. Inspirada neste objetivo, a mãe resolve criar um “plano de vida” que deveria ser seguido pela garota. No entanto, ela conhece um velho aviador que lhe conta a história de como conheceu uma figura que mudou sua percepção sobre a vida: O Pequeno Príncipe.

No ponto de vista do resgate da metáfora, o filme é excelente. Sempre atuando em duas frentes, percebemos a construção de duas histórias: A primeira, o Pequeno Príncipe original, representada em uma animação mais bidimensional e com traços mais agressivos, apresentando metáforas o tempo todo, como no romance francês. A segunda, a história da garotinha, transporta as metáforas originais para o contexto atual, buscando representações realistas para os conceitos que a obra se propõe. Fica nítido durante toda a trama esse jogo duplo. Muitas vezes, palavras e frases surgem em dois momentos distintos, sempre com sentidos e significados diferentes, explorando o nosso lado crítico e nossa percepção.

Por um lado, a transformação da história possibilitou que a obra pudesse atingir um público mais infantil, visto que não se prenderia ao formato, mais adulto, do Pequeno Príncipe original. No entanto, a animação não é como as animações infantis atuais. É brilhante, porém se utiliza pouco de momentos cômicos e da trama comum dos filmes infantis. Por um lado isso é excelente, O Pequeno Príncipe é uma animação diferente de tudo o que já se viu. Por outro, pode ser que o público infantil não receba com tanta animação a história apresentada e isso gera um falatório generalizado dentro do cinema (acredite, é absurdo!).

Sobre as duas animações, a ideia como um todo é excelente. Ajuda a diferenciar a trama inclusive no tom. A própria representação do Pequeno Príncipe, fica muito melhor no modelo bidimensional do que no tridimensional. O filme prova, de uma vez por todas, que algumas obras não se encaixam no modelo de animação atual e que não devemos nunca dispensar modelos mais simples. No caso deste filme em particular, funcionou na maior parte do tempo e o resultado artístico é excelente.

Outro ponto que pude observar foi que os personagens não tinham nomes. Cada um atendia pela representação. “O aviador”, “A mãe”, “O Pequeno Príncipe”... Todos representados e nunca nomeados. Um artifício interessante para uma obra que se propõe ser uma representação geral. Assim, qualquer um pode ser a menina e é muito fácil se reconhecer em algum dos personagens.


Diferente dos filmes da Disney, Dreamworks etc, O Pequeno Príncipe, não tem medo de ser pura metáfora. Uma fórmula diferente no que se trata de animações, mas que se provou muito certa e que pode inspirar novas obras no mesmo tom. Tomara que inspire!


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