11 de outubro de 2015

Vai que cola: O filme


Lançamento: 01⁄ 10⁄ 2015
Dirigido por: César Rodrigues
Com Paulo Gustavo, Marcus Majella, Catarina Abdalla e outros
Gênero: Comédia
Nacionalidade: Brasil



Inspirado nos personagens da série de televisão homônima, Vai que cola conta a história de Valdomiro (Paulo Gustavo), um homem que tinha seu apartamento no Leblon e sofre um golpe que o obriga a morar no Méier. Após anos morando no subúrbio, Valdomiro descobre que poderá voltar para sua vida na zona sul, mas um acidente na pensão da Dona Jô (Catarina Abdalla), acaba fazendo com que ele se veja obrigado a levar os moradores da pensão para o seu apartamento de luxo.

Como pode-se notar, a história já se constitui desde o início preconceituosa. Ela se aproveita da desigualdade social para rir da pobreza com um ar de superioridade. O filme é lotado de “piadas” preconceituosas e sem graça. Dotado de um humor pra lá de antigo, as piadas riem dos estereótipos comuns. O humor procura espaço entre piadas de gordos, piadas de homossexuais, piadas de pobre e outros estereótipos. Constitui-se assim, um típico humor de confirmação de expectativa, que procura afirmar padrões estereotipados de burrice, comportamento e visão de mundo. Existe humor melhor do que isso.

Quanto ao roteiro, é de se admirar que alguém tenha aceitado fazer um filme em cima de um roteiro tão fraco e pobre quanto este. Não existe linha narrativa, não existe personalidade para os personagens e não existe uma história definida. Os personagens são absurdamente jogados em meio a uma história caótica e cumprem sua função da forma mais esdrúxula possível. Cada personagem conta a sua historinha, mas nenhuma delas é relevante, interessante ou engraçada. Os personagens agem sem propósito e sem conflitos. O texto não colabora para que os personagens preservem suas individualidades. Do contrário, ele apenas reforça os estereótipos supracitados. Todos os gays são iguais, todas as mulheres são iguais, todos os homens são iguais... Assim por diante.

O filme tenta [só tenta] ser cômico, rindo do ato de fazer um filme e trazendo a quebra da quarta parede. Afirmo aqui, diante de vós, que nunca quis tanto que um muro fosse erguido entre mim e o cinema, pois esta quarta parede foi esculachada até o último tijolo. Paulo Gustavo toda vez que tenta dialogar com o público a respeito de seu filme, só reforça uma arrogância e prepotência que espanta o telespectador. Dou-vos um exemplo: Durante o filme, é dito que estão tentando fazer “uma coisa séria” no filme. Sério? É inacreditável que alguém nesse mundo leve a sério esta tentativa bisonha de produzir um material cinematográfico.

Paulo Gustavo prova, então, que é sim uma melhor atriz e que pode continuar como Mãe por mais um século de vida. Quando tenta mudar de ares, o ator demonstra uma prepotência e preconceito extremos.


Se eu esperava que não veria um filme nacional pior do que A Esperança é a última que morre e Linda de morrer neste ano, paguei minha língua, pois Vai que cola conseguiu ser pior do que Copa de Elite, que eu tinha para mim como o pior filme nacional já produzido. Uma pena.


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