26 de janeiro de 2016

Reza a Lenda

Lançamento: 21/01/2016
Dirigido por: Homero Olivetto
Com Cauã Reymond, Sophie Charlotte, Luisa Arraes, Humberto Martins e outros
Gênero: Ação, Romance
Nacionalidade: Brasil 

Reza a Lenda, o filme nacional que estreou 21 de Janeiro de 2016 ganhou alguma popularidade por ser taxado de o "Mad Max Brasileiro", afinal já em seu trailer era possível interpretar algumas semelhanças. Mas quando vemos o filme, aí temos certeza de que realmente é verdade, mesmo que não havendo inspiração ou plágio (considerando o início da produção do filme). A busca por água, as perseguições motorizadas, líderes políticos, o ambiente desértico, a mulher como mercadoria e por aí vai... Porém, mesmo que não tenha sido lançado numa época distante o suficiente do Mad Max: Estrada da Fúria, ou mesmo que não seja o filme mais original, não são os único motivos (ou talvez nem sejam muito relevantes) para que o filme mereça essa avaliação, mas existem vários outros problemas nele.

Ara (interpretado por Cauã Reymon) e Severina (interpretada por Sophie Charlotte) fazem parte de um grupo de foras da lei que tenta por anos encontrar uma forma de trazer a chuva de volta a sua terra. Porém depois de finalmente conseguirem o artefato que poderia dar fim ao seu sofrimento são perseguidos pela polícia local, e nessa perseguição envolvem a jovem Laura (interpretada por Luisa Arraes) em sua jornada. Porém o mandante da polícia não é alguém que deixa nada barato e passa a decide persegui-los incessantemente até conseguir o que lhe pertence de volta.

Não parece uma sinopse muito chamativa, mas o cenário e a história tinham bastante a oferecer. Infelizmente o conjunto da obra não permitiu. Infelizmente você é simplesmente arrastado de um canto para outro no filme. Algumas vezes você não tem noção de para onde a trama está caminhando e se pergunta se quer mesmo ver até onde ela vai. Os protagonistas não tem carisma (salvo talvez pela personagem Laura que pode ser a de mais fácil identificação com o público), por mais que você saiba que seu objetivo é justo não existe qualquer simpatia. Por outro lado, os antagonistas sim se mostram personagens interessantes. Seja o maléfico e cruel prefeito da cidade, Tenório (interpretado por Humberto Martins), que não possui sequer um pingo de caráter e é capaz de causar sofrimento sem nem piscar os olhos. Ou seja o "bruxo", com seguidores armados e seus rituais esotéricos, este que apesar de aparecer pouco, possui um papel importante na trama.

Existem características do longa que não há muita necessidade de explorar. Ele é perfeitamente capaz de se fazer entender com o que apresenta, mas acaba tornando esse aspecto contraditório quando nos induz cenas e situações que chegam a ser forçadas e sem nenhum propósito. Um exemplo que pode-se citar é a morte de vários membros do grupo de Ara e Severina. Acontecem muitas durante o filme, mas praticamente não há lamentação sobre a morte de pessoas que passaram quase toda a vida ao lado deles. Todos são quase robôs nesse aspecto. Valendo dizer também que não há nenhuma atuação notável no filme. Todas são esquecíveis. Não que os atores não tenham capacidade (alguns já provaram ter muita), mas parece que não há tempo para eles. Parece que não há tempo para seus personagens evoluírem. Enquanto isso, encontraram tempo para incluir um romance sem cabimento e que não se desenvolve. Simplesmente acontece por alguns minutos e depois não está mais lá. Talvez esteja, mas não é importante.
Não existe muito do que se falar quanto aos efeitos especiais. São pouco utilizados e no caso da computação gráfica se mostram ligeiramente ultrapassada, mas nada prejudicial ou que chegue a incomodar na experiência. A ambientação do cenário, o figurino, tudo parece bem condizente com a história e nisso não há do que reclamar. Bem como da trilha sonora, com sucessos nacionais e internacionais muito bem aplicados.

Reza a Lenda tinha bastante potencial, mas infelizmente não conseguiu alcançar nem as expectativas medianas da crítica. Trabalha com problemas reais e comuns na sociedade, além de fazer questionamento a nossa ideia de fé. Nos questiona o que é, como é, para que é... Mas infelizmente, parece que nada vai muito pra frente e não chega a lugar algum. E quando você nota, o filme já acabou.


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