Lançamento: 16/04/2015Dirigido por: Fellipe Barbosa
Com: Thales Cavalcanti, Marcello Novaes, Suzana Pires e outros
Gênero: Drama
Nacionalidade: Brasil
O filme nacional
apresenta o drama da classe média alta, além de discutir diversas questões
sociais.
Jean
(interpretado por Thales Cavalcanti) é um jovem comum, dentro de uma bem
protegida zona de conforto. Não possui muitas preocupações, além de se
relacionar com garotas, manter notas altas no colégio e se preparar para o
vestibular. Porém quando seus pais, Sônia (Suzana Pires) e Hugo (Marcello
Novaes), começam a ser afetados por problemas financeiros, se inicia um
processo para gradualmente quebrar a tão protegida zona de conforto de Jean e
fazê-lo enfrentar a realidade.
O filme inteiro
não conta com nenhuma situação fantástica ou mesmo incomum, mas é nisto que
está a proposta do filme. Relatar uma história, de um período de um ano
aproximadamente, que consiste de elementos comuns a qualquer família. Situações
ali aconteceram, acontecem e acontecerão com qualquer um. Junto dessas
situações, são abordados diversos temas recorrentes, problemas e situações. O
filme não fornece nenhuma resposta ou solução, afinal não é algo tão simples
assim de se chegar. Mas ele coloca pontos de vista de lados opostos, criando
debates interessantes e até acalorados em algumas cenas. É o suficiente para
despertar algum questionamento em quem vê.
Logo no inicio
do filme, após a sequência responsável por mensurar o tamanho da casa, o filme
nos mostra fatos importantes sobre o protagonista de forma inesperada. O
garoto, estudante do melhor colégio do Rio de Janeiro (Colégio São Bento),
morador de uma casa bem localizada e luxuosa, pertencente a uma família sem
qualquer problema financeiro (até certo momento), não reconhece todas suas
vantagens em relação à grande parte da população. Com isso, ele não possui
qualquer satisfação em sua vida. E quando somamos este fato ao afloramento dos
hormônios na idade que ele se encontra, além da pressão dos colegas e amigos,
por fim temos em Jean fortes intenções e desejos sexuais. E isso o leva a fazer
visitas noturnas à casa da empregada Rita (interpretada por Clarissa Pinheiro)
dentro do terreno da família. E já que um não possuía o mesmo tipo de interesse
um pelo outro, o jovem não se dá por satisfeito e vemos várias dessas visitas
ao longo do filme.
Mais uma vez um
simples ato toma proporções sociais. A perda da virgindade é tratada por jovens
algum ritual de passagem necessário para se tornar homem. O desejo sexual toma
conta e toma proporções desnecessárias. A atividade sexual não os torna
melhores, piores ou diferentes. É natural, comum e dessa forma se dará.
Sônia e Hugo são
quase as personificações de estereótipos de pais. Não existe nada de novo
neles, assim como não poderia existir para essa história e proposta. Ambos são
pais preocupados e cuidadosos com seus filhos às suas maneiras. A mãe é muito
mais carinhosa e o pai muito mais rígido e autoritário. Ambos visivelmente amam
seus dois filhos, e demonstram de sua própria maneira. Porém essas maneiras
podem acabar por não despertar sentimentos em seus filhos.
O maior exemplo
disso é observado em Jean. Ele é mais próximo do motorista e jardineiro que
trabalha em sua casa e das outras duas empregadas que seu próprio pai. Com o
motorista especificamente, ele confere intimidades e demonstra seus sentimentos
reais, enquanto quando o pai se acidenta em certo momento da trama, o garoto
mal se dispõe a ajudá-lo, apenas pergunta sobre seu estado, porém mais por
educação do que por um afeto maior.
Além disso,
temos a desconfortável situação em que a irmã mais nova de Jean foi colocada. A
atenção dos pais sobre o filho mais velho, e suas notas e intenções de
faculdade, acabam por anular qualquer consideração à filha, que mimada,
tornasse cada vez mais intolerante com a situação. Não deixa de existir amor, nunca
deixou, mas o filme mostra que é necessário, às vezes, relembrar aos nossos
entes, o quanto são queridos para nós. Existem grandes falhas na comunicação em
todas as famílias. Omissões, mentiras, vergonha, desinteresse, despreocupação,
medo... Todos sentimentos responsáveis por maus entendidos, discussões e
brigas. Tão problemáticos, e ao mesmo tempo tão simples, pois uma conversa
poderia ajudar a resolver muita coisa.
Não demora muito
para que as novas dificuldades financeiras comecem a interferir na rotina do
protagonista. O corte de gastos, acaba por dispensar o motorista e amigo de
Jean, e subitamente, o garoto que estava acostumado a viajar de carro para o
colégio, se vê tendo que aprender a andar de ônibus. Numa dessas idas, o filme
brinca com o nosso preconceito ao colocar um homem “suspeito” ao lado de Jean,
quando nos minutos anteriores, ele fora avisado sobre como evitar um assalto no
ônibus. Se ele foi ou não assaltado, não é importante para o enredo, mas parece
muito importante para quem vê a cena, ao dinamizar com a imaginação da pessoa e
fazê-la decidir por si mesma, o que acontece ali.
É também no
ônibus que somos apresentados a personagem Luiza (interpretada por Bruna
Amaya). Uma estudante do Colégio Pedro II, que apesar de jovem e ligeiramente
menos favorecida economicamente que o protagonista, possui grande e convincente
esclarecimento sobre o mundo que o cerca. Em pouco tempo esses dois personagens
engatam numa relação amorosa. E a partir do convívio com a nova namorada, Jean
começa a expandir seus horizontes e encontra nela um caminho honesto e sincero
para ser feliz.
A garota traz
questões pertinentes e a partir dela é abordado um polêmico tema: a cota para
as instituições de ensino. Concordando ou discordando com a lei, ela existe e
se faz bem presente. E ainda nesse campo, temos também o desagradável tema da
escolha do curso e da universidade. Onde os pais pressionam seus filhos na
escolha, almejando um futuro próspero e seguro financeiramente com a mais
sincera preocupação, mas em sua maior parte não são capazes de deixá-los livres
para aprender e errar por si mesmos, e fazer suas próprias decisões visando seu
bem estar emocional.
O filme é um diferencial dentro dos vários filmes nacionais que são em sua maioria tentativas medíocres de entretenimento, porém sem um conteúdo narrativo eficiente. Ele é um retrato sincero de uma família possível e identificável. Infelizmente não ganhou muito espaço no mercado que deveria.



Nenhum comentário:
Postar um comentário