18 de julho de 2015

Cidades de Papel


Lançamento: 09⁄ 07⁄ 2015
Dirigido por: Jake Schreier
Com Nat Wolff, Cara Delevingne, Halston Sage e outros
Gênero: Aventura , Romance , Drama
Nacionalidade: EUA

É uma tendência natural que livros com um grande hall de leitores recebam uma versão cinematográfica. Sucessos como Harry Potter, Senhor dos Anéis e Jogos Vorazes comprovam a eficácia. Contudo, nem todas as representações conseguem o sucesso esperado.

John Green é o cara do momento na literatura americana. Depois de consagrar-se com A culpa é das estrelas, o autor engrena em uma série de livros muito procurados. A primeira adaptação de um livro seu conseguiu alcançar o público e era questão de tempo até que suas outras obras começassem a ser procuradas. Sem mais enrolações, vamos ao cinema.

Cidades de Papel conta a história do jovem Quentin, um garoto que passou boa parte da sua vida apaixonado pela sua vizinha Margo. Sendo, durante toda a sua vida, um jovem travado e que tenta não desrespeitar regras e ser um modelo de comportamento, a vida de Quentin sofre uma reviravolta quando Margo invade o seu quarto e o leva em uma “missão”. Após uma noite de vingança e divertimento dos dois, a garota desaparece e Q começa a procurar pistas que levem ao local onde sua amada está escondida.

Sim, Cidades de Papel é mais uma história sobre o nerd impopular que se apaixona pela garota popular. É um clichê, contudo, que conseguiu ser trabalhado de forma diferente pelo autor dentro do livro. Toda a atmosfera que Jonh Green envolve no seu livro é, por si só, diferente dos clichês. O humor é trabalhado no livro de uma forma peculiar do autor, soando natural e sem o peso das piadas rotineiras em cima de “nerds”.

O grande problema do filme foi ter sido produzido pela Fox. O que dizer de uma produtora que arruína todos os sucessos literários em que toca? Percy Jackson, As Crônicas de Narnia (Primeiro produzido pela Disney, depois pela Fox) e agora Cidades de Papel. Ok, a Fox fez um trabalho que agradou os fãs com A culpa é das estrelas. Contudo, não soube trabalhar em cima do clichê de John Green. Sendo sincero, não vejo muitas diferenças entre Cidades de Papel e Eu te amo, Beth Cooper. Talvez a única diferença seja que o segundo é um besteirol e o primeiro é só besteira mesmo.

A Fox não soube perceber as nuances da trama e transformou tudo em uma grande moral mais clichê do que o próprio clichê do livro. O filme mais parecia uma série de homenagens a A culpa é das estrelas. Desde a participação de Ansel Elgort até a escolha de Nat Wolff para o papel principal. Tudo parece conspirar para agradar os fãs da primeira adaptação com Easter Eggs pessimamente colocados.

O ponto alto da adaptação é o núcleo de personagens principais (com a exceção de Cara Delevingne). Nat Wolff foi uma escolha fundamentada no sucesso do filme anterior, mas conseguiu dar conta do personagem. Entretanto a melhor de todas as escolhas foi o ator Austin Abrams que deu vida a Bem Starling. O personagem era um excelente alívio cômico no livro e conseguiu empenhar o mesmo divertimento no filme.


O saldo final foi um filme comum, que até distrai e pode agradar a um ou outro fã do livro menos exigente, mas que não soube respeitar o cerne da obra de John Green e provou, mais uma vez, que a Fox é a pior escolha para adaptar livros dentro de Hollywood. Aos fãs de John Green, uma boa notícia: os direitos de Quem é você Alasca? foram comprados pela Universal, quem sabe agora, teremos uma adaptação mais bem elaborada?


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