25 de agosto de 2015

Linda de morrer


Lançamento: 20⁄ 08⁄ 2015
Dirigido por: Cris D'Amato
Com Glória Pires, Antonia Morais, Emílio e outros
Gênero: Comédia
Nacionalidade: Brasil


As comédias brasileiras precisam de um tempo para serem repensadas. O cinema brasileiro como um todo não é ruim, mas é nas comédias que encontramos os piores exemplares, aqueles tão ruins que chegam ser indefensáveis. Por vezes, um ou outro filme nacional de comédia consegue ficar bem produzido, seja por causa de um elenco competente ou de um roteiro inteligente ou até mesmo no caso de efeitos diversificados, como é o caso de “Sorria, você está sendo filmado” que já discutimos aqui no Cinema Mudo.

Glória Pires é uma ótima atriz que já estrelou bons trabalhos em diversos momentos. “Se eu fosse você” é um dos exemplos, que contava com um roteiro inteligente e atuações muito boas de Glória e Tony Ramos. Já em Linda de morrer, a boa atuação pareceu ter se escondido em um armário, e só o que pudemos ver foi uma sucessão de expressões forçadas que passavam longe de uma boa atuação. A culpa, no entanto, não é de Glória Pires. Não há um ator que tenha interpretado bem neste filme. Nem um. Todas as atuações estavam fraquíssimas, devido, principalmente, a um roteiro muito pobre, e que buscava uma linguagem informal, mas acabava extravasando na informalidade. Os diálogos mais pareciam leituras de chat de Facebook ou Whatsapp. Não colou.

A proposta do filme não é nova, mas é, com certeza, atual. Discutir padrões de beleza sempre será atual, mas a maneira como representar o assunto pode soar muito ruim. Um filme que, durante sua moral, discursa sobre “a beleza ser relativa” e diz claramente que “a beleza natural deve ser preferida em relação a beleza artificial”, não pode apelar para piadas infames e preconceituosas. Por mais de um momento, piadas de pessoas “gordas” dançando apareceram. Também piadas de preconceituosas de cunho religioso. Isso é inaceitável em um filme que se propõe a uma temática como a beleza.

Quanto aos personagens, todos são mau trabalhados. Desde a protagonista, que, apesar da vaidade extrema (como dito no filme) assume rapidamente que cometeu um erro até o psicólogo [preconceituoso] que surta ferozmente. Isso se for descontar as participações bisonhas de Viviane Pasmanter e de alguns outros personagens que apareciam para dar um plano de fundo (figurantes com destaque). Lamentável.


O filme não é engraçado. Não diverte e não provoca qualquer reflexão. Com muitas incoerências dentro da própria lógica do filme, acredito que seja uma das piores produções brasileiras atuais. Talvez pior até do que Copa de Elite, que, pelo menos, sabia que era um besteirol.  Resta a esperança de que não seja feita uma sequência para o filme, como tem sido uma tendência dentro do mercado brasileiro de comédia (vide Qualquer-gato vira lata, Até que a sorte nos separe e o próximo a receber uma sequência: SOS: Mulheres ao mar).


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