Recentemente, me
descobri um admirador das séries da BBC. Comecei a assistir Sherlock por vários motivos, dentre eles
o maravilhoso elenco e a história. Sir Artur Conan Doyle já foi adaptado
inúmeras vezes, dentre filmes, séries, livros e até mesmo a nossa própria série
no Bistrô 33 (clique aqui para conferir a nossa série de textos). Me apaixonei
pelo material que encontrei e resolvi buscar outras séries para assistir,
quando tomei conhecimento de The
Musketeers uma outra série da mesma produtora que adaptava os personagens
de Alexandre Dumas.
Sobre a primeira série,
não há muito o que dizer, é apaixonante. O Sherlock Holmes de Robert Downey Jr.
(nos cinemas) é calmo, sedutor e encontra no Watson de Jude Law um amigo,
provavelmente o único amigo que ele tem. Em contrapartida, o Sherlock Holmes de
Benedict Cumberbatch é completamente diferente. É louco, frio, com tendências a
comportamentos psicóticos e sua relação com o Watson de Martin Freeman é quase
que romântica. Por vezes, é possível realmente acreditar que eles formam um
casal. A relação “amorosa” deles é estabelecida de uma forma tão natural que eu
ouso dizer que é a melhor representação homoafetiva já feita na história. [Com
certeza muito melhor do que os beijos escandalizados que a Globo tenta vender!]
Durante a história, os
personagens clássicos e renomados de Doyle surgem sempre de forma magistral. Se
existe uma coisa na qual a série acertou em cheio foi na representação dos
personagens. Sherlock soube trazer
novas roupagens a personagens que já foram vistos e revistos e, desta vez, num
contexto mais atual e bem diferente da versão clássica que vemos no cinema. Os
episódios são fascinantes. Tão fascinantes como qualquer obra baseada no “Detetive
da rua Baker” deve ser. Toda a aura de mistério e toda atenção aos detalhes
mais sórdidos nos levam a criar próprias teorias a cada capítulo. [Em um
determinado ponto da história, a trama brinca com estas nossas tentativas de
adivinhar o que acontece. Mais uma vez, um acerto tremendo.]
Falando agora de The Musketeers, outra excelente
surpresa. Os personagens são, novamente, a melhor parte da história. Não existe
nada de óbvio nas relações entre os personagens. Temos que perceber a diferença
entre as duas séries. Sherlock é uma
série de investigação, já em Musketeers
nós muitas vezes sabemos dos dois lados da história, o ponto alto fica a
encargo da ação, que é muito bem estabelecida. Os duelos de espatas são muito
elegantes, mas o que fica mais interessante é perceber que a série retoma o
nome da equipe, afinal, ao contrário do que muitos pensam, os mosquetes são
armas de fogo, e não as espadas. Algo muito interessante a se notar, nos
primeiros episódios, é que, a cada aventura, um dos quatro mosqueteiros está
ausente da ação principal, mostrando, frequentemente, três mosqueteiros na
trama.
Cada personagem
consegue se estabelecer de uma forma bem tranquila e interessante. São homens
muito diferentes, mas todos tem alguma razão para trabalharem como
mosqueteiros. Entre enlaces amorosos e debates políticos, os personagens ganham
uma profundidade muito interessante, explorada ao longo das temporadas. A relação
entre cada um é algo muito natural também. É possível perceber a construção da
confiança e do respeito entre eles e quando surge a famosa frase “Um por todos
e todos por um!” conhecemos um novo significado para ela e é bastante
comovente.
Em suma, a BBC se
provou uma excelente produtora para os clássicos. Com certeza, ganhou minha admiração.
Provou que consegue resignificar clássicos e trabalhar as dinâmicas entre os
personagens de uma forma muito natural e muito crível. Aguardo por novidades
positivas da produtora, quem sabe Hércules Poirot?



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