10 de setembro de 2015

BBC adaptando páginas de livros: Sherlock e The Musketeers



Recentemente, me descobri um admirador das séries da BBC. Comecei a assistir Sherlock por vários motivos, dentre eles o maravilhoso elenco e a história. Sir Artur Conan Doyle já foi adaptado inúmeras vezes, dentre filmes, séries, livros e até mesmo a nossa própria série no Bistrô 33 (clique aqui para conferir a nossa série de textos). Me apaixonei pelo material que encontrei e resolvi buscar outras séries para assistir, quando tomei conhecimento de The Musketeers uma outra série da mesma produtora que adaptava os personagens de Alexandre Dumas.

Sobre a primeira série, não há muito o que dizer, é apaixonante. O Sherlock Holmes de Robert Downey Jr. (nos cinemas) é calmo, sedutor e encontra no Watson de Jude Law um amigo, provavelmente o único amigo que ele tem. Em contrapartida, o Sherlock Holmes de Benedict Cumberbatch é completamente diferente. É louco, frio, com tendências a comportamentos psicóticos e sua relação com o Watson de Martin Freeman é quase que romântica. Por vezes, é possível realmente acreditar que eles formam um casal. A relação “amorosa” deles é estabelecida de uma forma tão natural que eu ouso dizer que é a melhor representação homoafetiva já feita na história. [Com certeza muito melhor do que os beijos escandalizados que a Globo tenta vender!]

Durante a história, os personagens clássicos e renomados de Doyle surgem sempre de forma magistral. Se existe uma coisa na qual a série acertou em cheio foi na representação dos personagens. Sherlock soube trazer novas roupagens a personagens que já foram vistos e revistos e, desta vez, num contexto mais atual e bem diferente da versão clássica que vemos no cinema. Os episódios são fascinantes. Tão fascinantes como qualquer obra baseada no “Detetive da rua Baker” deve ser. Toda a aura de mistério e toda atenção aos detalhes mais sórdidos nos levam a criar próprias teorias a cada capítulo. [Em um determinado ponto da história, a trama brinca com estas nossas tentativas de adivinhar o que acontece. Mais uma vez, um acerto tremendo.]

Falando agora de The Musketeers, outra excelente surpresa. Os personagens são, novamente, a melhor parte da história. Não existe nada de óbvio nas relações entre os personagens. Temos que perceber a diferença entre as duas séries. Sherlock é uma série de investigação, já em Musketeers nós muitas vezes sabemos dos dois lados da história, o ponto alto fica a encargo da ação, que é muito bem estabelecida. Os duelos de espatas são muito elegantes, mas o que fica mais interessante é perceber que a série retoma o nome da equipe, afinal, ao contrário do que muitos pensam, os mosquetes são armas de fogo, e não as espadas. Algo muito interessante a se notar, nos primeiros episódios, é que, a cada aventura, um dos quatro mosqueteiros está ausente da ação principal, mostrando, frequentemente, três mosqueteiros na trama.

Cada personagem consegue se estabelecer de uma forma bem tranquila e interessante. São homens muito diferentes, mas todos tem alguma razão para trabalharem como mosqueteiros. Entre enlaces amorosos e debates políticos, os personagens ganham uma profundidade muito interessante, explorada ao longo das temporadas. A relação entre cada um é algo muito natural também. É possível perceber a construção da confiança e do respeito entre eles e quando surge a famosa frase “Um por todos e todos por um!” conhecemos um novo significado para ela e é bastante comovente.


Em suma, a BBC se provou uma excelente produtora para os clássicos. Com certeza, ganhou minha admiração. Provou que consegue resignificar clássicos e trabalhar as dinâmicas entre os personagens de uma forma muito natural e muito crível. Aguardo por novidades positivas da produtora, quem sabe Hércules Poirot? 


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