21 de setembro de 2015

Maze Runner: Prova de fogo


Lançamento: 17⁄ 09⁄ 2015
Dirigido por: Wes Ball
Com Dylan O'Brien, Ki Hong Lee, Kaya Scodelario e outros
Gênero: Aventura , Ficção científica , Ação
Nacionalidade: EUA


Depois de sair do Labirinto, Thomas e os outros clareanos ainda têm dificuldades em descobrir quem são os seus verdadeiros inimigos. E quando percebem que foram “resgatados” pelo CRUEL, vão enfrentar o Deserto e fazer de tudo para fugir mais uma vez.

Desde que as indústrias Hollywoodianas resolveram investir em adaptações de livros e em cenários pós-apocalípticos, tivemos algumas boas surpresas e outras bem desagradáveis. Um bom exemplo é a saga Jogos Vorazes que termina em novembro deste ano deixando uma produção brilhante nas telonas. Um mau exemplo é a saga Divergente que mistura de todas as influências possíveis e faz um filme com cara de nada. O primeiro Maze Runner apresentava um cenário bem parecido com o de Jogos Vorazes, mas ainda apostava em mais efeitos visuais e num ambiente com muitas criaturas fictícias, feitas por computação, enquanto a outra saga apostava em uma atmosfera mais política para cativar o público.

Nos livros, o diferencial de Maze Runner é que a história compartilha de vários personagens protagonistas. Thomas (Dylan O’Brien) é apenas um deles, que, por acaso, conta a história. Na obra de James Dashner, os outros clareanos (tais como Newt, Minho, Winston e Caçarola; além de Aris) tem muito mais visibilidade e importância dentro da trama. No entanto, como já era de se esperar, a Fox OUTRA VEZ, desacata a criatividade do autor original, com o intuito de criar um herói da maneira mais comum. Dado o cenário construído no filme, não julgarei a obra com base nos livros de Dashner (que são infinitamente superiores).

Bem, Thomas é um personagem vulgarmente qualquer. Sem expressividade e sem criatividade, ele lembra uma série de quinhentos outros personagens iguais a ele, mas a atuação de Dylan O’Brien traz uma aparência tosca e mecânica para a personagem. Não existem relações bem estabelecidas entre as personagens. Thomas salva porque é o que um “herói” deve fazer. A personagem segue então uma jornada do herói muito clara e objetiva. O cenário começa a desmoronar e, então, uma série de desventuras surgem para que a personagem tenha que superar as dificuldades e se tornar um herói. Clássico e sem originalidade.

A trama até agora não se faz clara. Existem furos nos discursos de todos os personagens.  A Fox parece não ter definido se a imunidade dos clareanos é devido a um fator biológico, psicológico ou médico. Além do mais, o Deserto que é dito no filme como um causador de muitas mortes não é nada mais do que uma praia sem água. O calor do Rio de Janeiro deve matar mais do que aquele deserto. Em nenhum momento há alguma menção sobre os personagens terem suas peles queimadas ou sobre sentirem sede. Do contrário, parece que o suprimento de água é bem razoável.

O filme perdeu completamente a essência do título. Maze Runner: Prova de fogo não faz sentido dentro da atmosfera criada por Wes (diretor) e pela Fox. Fica apenas como uma forma de identificação com o livro, algo que, na minha opinião, não faz sentido, dada a forma como o filme desrespeita a cronologia do livro.

O que ainda vale a pena de se ver é a atuação de Kaya Scodelario e de Giancarlo Esposito, dois grandes atores que conseguem convencer nos seus personagens que, infelizmente, foram mau-escritos por Wes, aparecendo como mais dois elementos clichês dos filmes deste gênero. Mesmo assim, gosto da maneira como Giancarlo deixa estampado que o seu personagem é previsível. Quanto a personagem de Kaya, discordo do que a atriz disse sobre ser uma “personagem forte”. O que o filme faz parecer é que seja uma personagem assustada e frágil.


Os efeitos especiais são bons, e tinham mesmo que ser, afinal parece ser a única coisa que a Fox pretende vender com o filme. Desvirtuado da atmosfera do primeiro filme, Maze Runner é um filme regular, sem nada de incrível ou novo, apenas mais um Divergente no mundo. Merecia ser mais.


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