29 de setembro de 2015

Sobre o cinema entender mais de família do que Brasília.

Na semana passada, a câmara dos deputados votou o Estatuto da família, um projeto que emana retrocesso à todas as batalhas travadas diariamente pelas comunidades LGBT e reforça padrões extremamente homofóbicos e religiosos dentro de um país que se autointitula laico.

Art. 2º Para os fins desta Lei, define-se entidade familiar como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. (Para ler o projeto inteiro, clique aqui)

De forma a questionar o conteúdo do projeto, escolhi trazer aqui no Cinema Mudo, exemplo de famílias nada tradicionais dos cinemas para que a gente possa provar que o mundo está mudado, só o que não muda é a mentalidade fétida de uma corja que se vê amedrontada pela felicidade e pelo bem-estar daqueles que constituem SIM uma família, das mais variadas formas que se pode encontrar.

Acho que o primeiro, mais bonito e mais simbólico, exemplo seja o de Lilo & Stitch: Uma família cujo núcleo é formado por Nani e Lilo, duas irmãs havaianas que perderam seus pais ainda novas e tiveram que se criar sozinhas. Tudo muda para as duas quando uma nave alienígena cai no Planeta Terra, trazendo a experiência 626, um alienígena azul criado pelo doutor Jumba Jookiba. Lilo adota o alien pensando que é um cachorro e dá a ele o nome de Stitch. Após inúmeras perseguições, Lilo e Nani conseguem lutar por sua família e passam a viver juntos. O filme traz consigo a mensagem mais bonita já presente em um filme da Disney: Ohana quer dizer família; família quer dizer nunca mais abandonar ou esquecer. Parece que alguém está precisando assistir um pouquinho de Disney lá em Brasília...

Problemas com os pais são muito frequentes em filmes de grandes heróis. Geralmente, alguns dos maiores heróis já perderam seus pais e vivem com algum outro familiar. Peter Parker e Harry Potter cresceram com seus tios e se tornaram grandes figuras. O caso do Homem-Aranha é bastante trágico. Além de perder seus pais, o herói ainda perdeu seu Tio Ben, que não iria embora antes de proferir a célebre frase “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades” (Outra frase importante para mandar para o DF). Curiosamente, o Homem-Aranha é um dos heróis que tem as mortes de entes queridos mais permanentes dentro dos quadrinhos, ou seja, sua família de verdade é a sua Tia May. Apesar de Harry Potter ter perdido os pais, ele foi criado pelos tios em um ambiente familiar que os políticos de Brasília podem considerar sadio: Um homem, uma mulher e dois rapazes. No entanto, sabemos que Harry sempre se sentiu em casa quando estava em Hogwarts. O que torna Rony, Hermione, Hagrid e muitos outros a sua verdadeira família.


Muitas outras famílias se formam no cinema. Com as mais variadas conformações, filmes como Rei Leão, Frozen, Família do Futuro e até séries como Scooby-Doo, A Vaca e o Frango e clássicos como os Três Mosqueteiros mostram que o que une família transcende leis e pedaços de papéis. Sherlock Holmes e Watson formam uma família muito mais bonita e cheia de valores do que as que a Globo empurra goela abaixo nas suas novelas em decadência. Se uma família tradicional é o que eles apresentaram em Verdades Secretas, me desculpem mais prefiro qualquer outra dessas formações que citei acima. Hakuna Matata.


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