30 de outubro de 2015

Operações Especiais


Lançamento: 15⁄ 10⁄ 2015
Dirigido por: Tomás Portella
Com Cleo Pires, Fabrício Boliveira, Marcos Caruso mais
Gênero: Drama , Ação , Crime
Nacionalidade: Brasil





A carioca Francis (Cléo Pires) presta concurso para a polícia militar e é aprovada para trabalhar na instituição. Quando os traficantes do Rio de Janeiro fogem para São Judas do Livramento, uma força-tarefa especial é enviada para resolver o problema de violência na cidade. A unidade, comandada pelo delegado Paulo Froes (Marcos Caruso), se compromete a combater o crime em todos os níveis e fazer a verdadeira justiça na pequena cidade.

No primeiro contato, o filme parece ser mais uma tentativa de fazer um Tropa de Elite.  Não deixa de ser uma verdade. Porém, ainda são muitas as diferenças entre os dois filmes. Se o filme do Capitão Nascimento era embebido de uma atmosfera mais séria e realista, Operações Especiais já contém muito mais humor na sua essência. A diferença de estilo pode ser notada inclusive no elenco. Nomes como Fabíola Nascimento e Antonio Tabet já são um forte indício de que o texto não é tão sério quanto o de Tropa de Elite.

Outra grande diferença entre os dois filmes está no alvo. Operações Especiais ataca a todos os setores da população brasileira. Quando o grupo de operações chega a cidade e começa a combater o crime, percebem que todos os cidadãos de São Judas estão, de alguma forma, envolvidos com alguma forma de corrupção e têm motivos para serem presos. Enquanto o alvo de ataque do Tropa de Elite é a polícia e o governo, o filme de Tomás Portella atira em todas as direções.

O humor é algo que funcionou muito bem no filme. O personagem de Marcos Caruso é divertido e consegue descontrair nas cenas mais sérias. Outros personagens apelam para o usual pastelão comum em tantos filmes brasileiros. A personagem de Cléo Pires com certeza é um destes, mas deixo para falar logo mais. Fabíola Nascimento, no entanto, é uma personagem que não funciona e não convence, sendo uma personagem igual a milhões de outras que a atriz já interpretou. Quanto a Antonio Tabet, fica apenas a impressão de que o ator foi mal aproveitado na trama.

A personagem de Cléo Pires é a maior decepção do filme. A trama tenta, claramente, utilizar da personagem como um pretexto para discutir a presença das mulheres na polícia e demonstrar a força da personagem, perante desafios. No entanto, a personagem que é apresentada no início do filme é fútil e apavorada. Durante metade do filme, tenta-se estabelecer humor a partir da incompetência e do medo da personagem, desconstruindo a ideia de que a mulher poderia ser uma policial valente.


O filme é interessante porque consegue estabelecer um equilíbrio entre o bom humor e a ação policial. Em alguns momentos, a ação parece correr rápido demais, passando a impressão de que a narrativa está correndo para atingir um fim. O resultado é uma obra interessante por apresentar um estilo um pouco diferente da maioria dos filmes nacionais atuais.


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