Criado por: Melissa
Rosenberg (2015)
País: EUA
Gênero: Drama,
Fantasia, Policial
Duração: 50 min (13
episódios)
Jessica conseguiu seus
poderes em um terrível acidente que matou sua família. Após sua tentativa de
ser uma super-heroína, Jessica Jones resolveu tentar suas chances como
investigadora particular. Quando Hope Shlottman desaparece e a investigadora é
procurada para descobrir o paradeiro da menina, Jessica descobre que uma
aberração do seu passado está de volta para atormentá-la e ela fará o que for
preciso para parar Kilgrave e impedir que ele leve o caos a todos.
A parceria da Marvel
com a Netflix promete trazer um novo tom aos heróis da editora. Após o sucesso
de Demolidor, no início do ano,
esperava-se uma Jessica Jones bem
sombria, com cenas fortes de violência e uma atmosfera bem realista. O mais
brilhante da série é justamente que o que foi feito é bem realista, mas não é
sombrio. Comparando as duas séries da parceria, fica muito claro que enquanto Demolidor tem muitas cenas durante a
noite, Jessica Jones já acontece
muito mais durante o dia. Sem tanta violência explícita, a série ousa mais nas
cenas de sexo, e constrói uma atmosfera bem diferente da apresentada
anteriormente.
Realidade x ficção é um
combate muito presente em filmes e séries de super-heróis. Como trazer poderes
e super-habilidades para um universo coeso e realista? A série Jessica Jones parece ter encontrado o
ponto certo. Não foi preciso trazer muitos flashes da transformação de Jessica.
Não foi preciso muito alarde para seus poderes. Tudo acontece de forma tão
natural que você simplesmente aceita tranquilamente. Outro ponto interessante é
como Jessica usa seus poderes. Ao contrário de personagens como Capitão América
e até o Demolidor, a heroína começa a série usado seus poderes para ganhar a
sua vida, investigando a vida das pessoas em troca de dinheiro. A forma como ela
é retratada como uma anti-heroína é algo muito bem trabalhado dentro da
narrativa e diferencia Jessica Jones de outros personagens como o próprio
Demolidor.
Sendo uma série de
super-heroína, era de se esperar alguma discussão feminista embutida na trama.
A forma como a discussão surge é muito sutil e interessante. É empolgante ver
duas formas distintas de trabalhar personagens femininas, uma em Jessica Jones e a outra em Supergirl. Enquanto a primeira é uma
mulher com superforça, que faz muitos homens terem medo e não sofre com uma
barata em casa, Kara Danvers (Supergirl)
é uma garota nova que salva o mundo e se preocupa com as roupas que vai vestir
em um encontro.
Como Demolidor, a série Jessica Jones investiu em um vilão forte e bem trabalhado. O
personagem de David Tennant é magnífico. Um vilão de verdade! A narrativa se
encarregou de torná-lo poderoso e, ao mesmo tempo, sensível. Kilgrave é uma
criança mimada, que usa seus poderes para conseguir o que quer de todo mundo.
Logicamente, a atuação de David contribui bastante, mas devemos dar os créditos
a narrativa que não se preocupa em justificar razões para sua maldade. Não é
necessário explicar porque é uma criança mimada, ele é o mal e faz as coisas
porque é assim. Brilhante.
Outros personagens
também são maravilhosamente trabalhados pela série. A relação entre Jessica e
Luke é muito boa e toda a forma como os poderes de Luke Cage são apresentados
também é genial. [Especialmente na cena quando ele prova para Jessica seus
poderes.] Luke é um personagem muito forte e nos deixa ansioso para receber a
sua própria série. Também Malcolm, vizinho de Jessica é um excelente personagem
que tem um espaço enorme para se tornar um importante personagem do universo
Marvel-Netflix. E por fim, Claire, a enfermeira noturna. Após sua participação
em Demolidor, já tínhamos certeza de que
seria uma importante aparição, o que veio a se confirmar em Jessica Jones. Ainda que breve, a
personagem deu o seu devido recado.
Algo de estupendo na série
é a preocupação com as vítimas de Kilgrave. Tanto nos filmes da Marvel quanto
em Demolidor e Agent’s of Shield, a grande preocupação é o bem-comum. Contanto que
o mundo esteja a salvo, tudo está resolvido. Jessica Jones traz essa discussão de outra forma. O que seria da
sua vida se um homem, com algumas palavras, consegue te levar a querer fazer
atitudes absurdas como se matar ou matar alguém? Logicamente, as vítimas de
Kilgrave tem suas mentes embaralhadas e precisam de um suporte ao seu lado. A
série consegue estabelecer esse suporte e é algo que pode ser trabalhado num
contexto mais amplo para o futuro de todas as séries.
Algo que eu considerei
relevante é a discussão sobre estupro. Se Kilgrave pode fazer as mulheres
quererem transar com ele, mesmo que não seja essa a vontade delas, ainda assim
podemos considerar o estupro. Jessica Jones traz essa fala em diversos momentos
da série, alimentando mais uma discussão interessantíssima e completamente
acertada.
Apesar do brilhantismo
da série, o final deixa um tanto a desejar. Durante muito tempo, é possível se
dividir entre torcer para Jessica ou para Kilgrave (tal como, em Demolidor, era possível torcer pra Fisk
ou para Matt), no entanto, após uma série de tentativas mirabolantes de deter o
Homem Púrpura, tudo parece se resolver de uma forma muito óbvia e fácil no
final. Todo o desafio que Jessica travou por mais de dez episódios se esvai no
último momento e Kilgrave é detido facilmente. Ainda assim, a série é digna de
ser assistida até o fim e ainda é um excelente trabalho desta parceria entre a
Marvel e a Netflix, que trará, no ano que vem, Demolidor e Justiceiro juntos em
uma série. Imperdível.




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